fevereiro 12, 2012

Afetividade e Educação

Qual a importância de integrar a afetividade à prática pedagógica? Como ela pode interferir na vida do aluno, e do professor, a ponto de mudar a realidade educacional na qual vivemos hoje? (...)

A relação afetiva professor-aluno reflete bons resultados na aprendizagem, pois aquele aluno que vê, em seu professor, um amigo, um companheiro, um colaborador, evita causar-lhe desgostos, quer ser como ele, o tem como alguém da família e, assim, adota, quase que inconscientemente, uma conduta de respeito, cooperação e atenção nas suas aulas, frutificando uma assimilação mais rápida e consistente do conteúdo por ele ministrado.
Queremos com isso dizer que falta ao aluno um clima de camaradagem na escola, uma elevação do grau de afetividade entre ele e os demais personagens, também sujeitos, do processo ensino e aprendizagem para um resultado positivo e animador do trabalho que o professor realiza e que a escola oferece. Não podemos, no entanto, desprezar os primeiros anos de vida da criança que são a base para um desenvolvimento saudável de sua personalidade, observando sobretudo a relação que a criança tem com sua mãe poderemos entender a constituição de um adulto com afetividade bem ou mal construída. Muito menos podemos depreciar os fatores sociais, culturais, religiosos, genéticos e neurológicos que podem interferir significativamente na aprendizagem.

Intrinsecamente ligada à cognição, a afetividade constitui-se fator essencial na vida escolar, devendo pois o professor, sobretudo da Educação Infantil, estar ciente dos problemas que pode enfrentar e estar preparado para resolvê-los. Isso porque muitas crianças revelam rejeição à escola devido a uma primeira infância tumultuada e carente de afetividade, principalmente da figura materna.

Somos humanos, e como tais, estamos sempre em busca de algo que justifique nossa existência, que nos dê razão para viver. Essa motivação faz dos educadores uma fonte inesgotável de questionamentos e dúvidas que queremos e buscamos solucionar. Uma delas é o baixo rendimento dos alunos justamente quando se fala de uma Educação de Qualidade para Todos. O que falta? (...)

A Educação no Brasil enfrenta crises. Técnicas, teorias, metodologias, programas são freqüentemente implantados sem muitos resultados aparentes. A reprovação ainda é grande. A evasão ainda é realidade. O vestibular ainda é o "bicho-papão". O desemprego ainda existe. As multinacionais ainda estão aqui, e cada vez mais fortes. Os alunos concluem os níveis de ensino sem a bagagem esperada. E,diante dessa problemática, que não é só escolar, mas cultural, social e depende do tempo em que se vive, resolvi investigar sobre os resultados que a integração de uma política da afetividade na sala de aula poderia trazer. E assim, proponho-me a apresentar neste trabalho fundamentação e idéias para comprovar a eficácia dessa didática do cuidado com o outro. (...)

Na escola, a afetividade vem sendo debatida e defendida há alguns anos por psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, profissionais da educação e saúde em geral. Porém, percebemos ainda uma grande defasagem em prestar um serviço profissional que alie suas técnicas próprias a uma interação eficaz de desenvolvimento de um relacionamento baseado no emocional. Professores e educadores que incluíram essa teoria no seu cotidiano apontam para os evidentes resultados positivos que conseguiram alcançar. Mas, antes de pensarmos na escola como ambiente para desenvolvimento da personalidade da criança, devemos alertar para o fato de que esta criança, ao entrar na escola, já tem uma vida cheia de experiências, estímulos e respostas que aprendeu a dar diante de determinadas situações de sua vida diária. (...)

A problemática emocional está ligada aos conflitos interiores e dispersão do indivíduo, o que dificulta sua interação com o meio, prejudica sua capacidade de atenção, concentração e de relacionamento interpessoal. A figura materna tem papel decisivo na "prevenção" dessas dificuldades. O afeto que ela dedica à criança, especialmente nos cinco primeiros anos de vida, é responsável por grande parcela da sua personalidade na vida adulta, pois a ligação mãe-filho nessa faixa etária é muito intensa e a criança se fixa na mãe, tendo-a como exemplo e modelo para suas atitudes futuras.

NOVAES (1984) nos mostra que a carência afetiva determina uma série de fatores que prejudicam o desenvolvimento global da criança, tanto no âmbito físico como psíquico. Essa carência pode ser identificada pela incapacidade do indivíduo em manter trocas afetivas normais com outros seres humanos. Segundo ela, esses sintomas diagnosticados na escola é conseqüência de um descontrole na relação mãe-filho, pois tanto a carência como o excessivo cuidado pode acarretar problemas emocionais graves na criança pequena.

O desvinculamento do seio da mãe poderá desencadear sintomas de angústia e mal-estar que variam conforme a sua idade, grau de dependência dos pais e, principalmente, quanto a natureza dos cuidados maternos. Essa angústia revela uma relação emocional e afetiva normal entre a mãe e a criança, pois retrata uma quebra no processo de afetividade que vem sendo construído por ambas (NOVAES, 1984).
Na escola, a criança terá dificuldades de adaptação ao meio de acordo com o grau de relacionamento com a mãe. Ao nascer, a criança se fixa naquela pessoa que ela considera de sua posse, no caso a mãe. Na escola ela terá de se relacionar com um número bem maior de pessoas ao qual está acostumada e isso é um fator importante na avaliação do desenvolvimento emocional da criança, funciona como um teste. Através dele podemos definir novos rumos na educação da criança e dos seus pais. A socialização com outras crianças de sua idade e professores é uma nova etapa no processo de formação da personalidade da criança e deve ocorrer de forma saudável. (...)

Enfim, a angústia provocada, em crianças pequenas, pela perda ou separação da figura materna determina mecanismos de defesa que podem comprometer e modificar a sua personalidade.
Há, dessa forma, uma grande importância do primeiro professor da criança, pois ele será, para ela, a substituição da mãe. Cabe então a esse profissional o devido cuidado de manter um bom relacionamento que dê continuidade à relação saudável mãe-filho ou alterar seu comportamento para elevar a afetividade de uma criança que demonstra problemas emocionais decorrentes da relação que tem com sua mãe. Sendo assim, o professor não pode estar alheio à vida do aluno. É necessário que ele conheça os pais, seus problemas físicos, psíquicos e um pouco da vida que levava antes de ingressar na escola. Só assim poderá entender as dificuldades na adaptação da criança ao novo meio e no processo de aprendizagem.

Tanto o excesso como a falta de afeto pode prejudicar a aprendizagem. Por isso, sua maturidade afetivo-emocional deve estar até certo ponto desenvolvida quando esta é levada a ingressar na escola. Esse grau de maturidade é o que vai definir os rumos do desenvolvimento cognitivo da criança e para que tudo corra bem ela precisa ter um clima de segurança emocional tanto em casa como na escola.

Problemas físicos e psíquicos são facilmente identificados como indicadores dos problemas de adaptação e aprendizagem das crianças na escola. Não podemos deixar de lado os problemas emocionais. A escola e professores, especialmente os de maternal, devem prever e estar preparados para atender prontamente essas crianças com problemas emocionais decorrentes de sua relação familiar, propiciando-lhes um clima de estabilidade emocional e contribuindo para que o ingresso e permanência da criança na escola ocorram de maneira normal e tranqüila, onde haja uma socialização efetiva dessa criança com os professores e funcionários da instituição bem como com as demais crianças. O nível de aprendizagem deve ser avaliado observando o fator emocional que condiciona a criança a ter certas atitudes como desatenção, falta de concentração, apatia, agressividade ou indiferença, dificultando seu desenvolvimento cognitivo.

Problemas de natureza emocional e psíquica devem ser trabalhados em conjunto com a escola, família e um profissional, psicólogo ou psicopedagogo, que estará responsável pela avaliação e intervenção terapêutica auxiliada pelos professores e familiares da criança.

REFERÊNCIAS:

ALVES, R. A. Conversas com quem gosta de ensinar. 20 ed. São Paulo: Cortez Editora. 1985.
ALVES, R. A. Estórias de quem gosta de ensinar. 11 ed. São Paulo: Cortez Editora. 1987.
BALLONE, G. J. Neurofisiologia das emoções   in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2002   disponível em http://www.psiqweb.med.br/cursos/neurofisio.html
BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano   compaixão pela Terra. Petrópolis, Rio de Janeiro: Ed. Vozes. 1999.
CHALITA, G. Pedagogia do amor: a contribuição das histórias universais para a formação de valores das novas gerações. São Paulo: Ed. Gente. 2003.
CURY, A. J. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Ed. Sextante. 2003.
FERREIRA, A. B. H. Mini Aurélio. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 2000.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 11 ed. São Paulo: Paz e Terra. 1996.
FURLANI, L. M. T. Autoridade do professor: meta, mito ou nada disso? 4 ed. São Paulo: Cortez Editora. 1995.
GALVÃO, I. Wallon e a criança, esta pessoa abrangente. Revista Criança. São Paulo: Ministério da Educação. p. 3-7. dez. 1999.
GOTTMAN, J.; DECLAIRE, J. Inteligência Emocional. 34 ed. Rio de Janeiro: Objetiva. 1997.
NOVAES, M. H. Psicologia Escolar. 8 ed. Rio de Janeiro: Vozes. 1984.
TEZOLIN, O. M. Re-criando a educação: uma nova visão da psicologia do afeto. 4 ed. Rio de Janeiro: DP&A. 2003.
TIBA, I. Quem ama, educa!. 131 ed. São Paulo: Ed. Gente. 2002.

Obs.: Editei o texto, para postae aqui no blog, quem quiser ler na integra é só acessar o link abaixo.

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